A Idade Média
Por convenção, denominamos "Idade Média" ou "Idade das Trevas" ao período de mil anos que vai da queda do Império Romano, com a invasão dos visigodos e vândalos no século V, até o Renascimento, no século XV. Para os humanistas do Renascimento consiste em um período de barbárie e crueza gótica; para Voltaire e Bentham foi a "Idade da Fé", ou seja, uma época de supertições.
Mas, ao contrário do que se pressupõe, ela não consiste em um período de decadência entre o Império Romano e a Renascença. Há várias "renascenças" neste período, dos quais a própria renascença dos séculos XV e XVI é apenas uma continuação. Temos a renascença carolíngea (no século IX), a renascença escolástica ou francesa (século XIII) e outra renascença francesa, dos nominalistas (século XIV), ou seja, sucessões quase contínuas de renascenças.
A queda do Império Romano também não constitui, em si, uma grande conseqüência para a "Idade das Trevas". Afinal, até mais ou menos a época carolíngea, a vida não diferia muito dos últimos séculos da Antigüidade.
Houve, sim, muita "treva" nesta época. Havia muita violência, com incestos, assassinatos, estupros. A cristianização dos bárbaros tornou a igreja mais bárbara. A Igreja exercia seu poder sustentado pelo terror e pela ameaça da violência espiritual. O medo de Deus era usado para acalmar as sociedades desordeiras. Nesse tempo, nem sequer as virtudes bárbaras (lealdade e honra militar) importavam mais.
Todavia, a arte quis triunfar desta realidade, expressando-se, entre outras coisas, nas torres das catedrais que se erguiam, tentando alcançar os céus, e "servindo de ninhos para anjos e arcanjos, protegendo os mortais de raios e pecados". E a arte será, portanto, um refúgio de valores que não existiam mais em lugar algum.
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