A Literatura Germânica
Os germânicos, como os outros povos de sua época, utilizaram muito o verso em sua literatura, só recorrendo à prosa à partir do século XIII.
A poesia foi bastante prestigiada na Alemanha, principalmente na parte sul. Inspirando-se nos trovadores provençais, desenvolveram a arte do Minnesang (canto de amor). Estes "minnesingers", no entanto, mostram-se muito mais sinceros que os franceses. Durante dois séculos (XII e XIII), esses poetas produziram bastante versos líricos, revelando características genuinamente alemãs.
Os "minnesingers" eram cavaleiros que dedicavam seus versos à adoração de uma dama "inacessível", geralmente de classe superior (essa "inacessibilidade" seduzia bastante o espírito dos poetas medievais). Convém salientar que tais damas nem sempre existiam.
Dentre esses artistas, podemos destacar três em especial: Walther von der Volgelweide, Wolfram von Eschenbach e Gottfried von Strassburg. Juntos, eles formam o "grande triunvirato da poesia medieval germânica".
O maior entre os minnesingers foi Walther, também por dar ao seu verso uma intensidade emotiva bastante moderna. Em Unter der Linden, ele canta não à uma nobre, e sim à uma moça do povo.
Wolfram também era bastante original, e foi ele quem deu forma ao romance Parsifal, que lhe viera sob versões francesas. Nele, teve que superar as dificuldades de um alemão ainda se aprimorando, que estava mais desenvolvido para o canto que para a narrativa.
Autor de belos romances épicos, Gottfried escreveu seu Tristan baseado também em fontes francesas. Entretanto, a qualidade da sua obra supera tais versões.
Mais tarde, o romantismo de Wagner ressucitaria os minnesingers através do Tanhauser, transformando-os em artistas que disputam entre si o talento, como os poetas gregos o faziam pela coroa de louros em Olímpia.
A maior narrativa épica que a Alemanha medieval produziu é o Niebelungelied. Data do século XIII, tendo sido compilado por um poeta desconhecido, ou mais de um, provavelmente com base em contos e mitos intimamente relacionados. Wagner musicou tal história e, mesmo tendo dado seu ponto de vista pessoal e o da época, conservou a essência do mito, tendo caracterizado bem os seus personagens.
"Rabenschlacht" foi outra saga dos alemães medievais. Trata-se de um relato de um combate histórico, embora tendo sido transformado pelo seu narrador, o monge Paulo Diácono, em luta mística entre "deuses da luz e fantasmas noturnos".
No campo literário, embora tendo sido produzido bastante, pouca coisa tem realmente valor. Os mestres cantores sucederam os minnesingers, tornando-se mais acadêmicos e menos epontâneos, mas dando continuidade às tradições líricas germânicas.
Os ingleses inspiravam-se, no campo da literatura, nos franceses, celtas e nos pouco imaginativos anglo-saxões (que tinham dificuldade para fazer com que sua língua sobrevivesse em um mundo que falava latim e francês). Caminhando um pouco diferente das novas línguas em formação, bastante material em prosa foi produzida na língua anglo-saxônica, além das poesias habituais.
Como obras da época podemos destacar A Pérola, um poema sobre a morte de uma donzela, e Havelok o Dinamarquês, que é uma narrativa de fundo escandinavo.
Em Beowulf, vemos a origem continental. Sua língua é anglo-saxã, e os personagens são escandinavos e germânicos. Também tem as características do romance medieval: um guerreiro que salva um rei vizinho de três monstros (um puro conto de fadas). Provavelmente o autor deste é um cristão, pois seu herói segue ligeiramente a moral de Cristo. Contudo, mostra também aspectos da personalidade do povo germânico, que não se converte totalmente ao cristianismo. Beowulf foi traduzido por William Morris, tendo também uma versão na América através de William Ellery Leonard.
Ainda podemos destacar os trabalhos de Alfredo o Grande, rei no século IX, e que procurou educar o seu povo nas artes e na filosofia.
O anglo-saxão decai o tempo da conquista da Inglaterra pelos normandos, mas não totalmente por conta disso. Como conseqüência, o "Middle English" demora mais de um século para formar-se. Este idioma só passa a ser reconhecido como inglês na época do Renascimento italiano, tendo o seu primeiro reflexo na Inglaterra na obra de Chaucer.
Os escandinavos, povo conquistador que empreendiam viagens de descoberta, conquista e pirataria e pirataria por regiões conhecidas e desconhecidas, invadem regiões de outros povos, sempre mantendo a cultura dos conquistados. Na Islândia, uma vez que era uma ilha deserta, desenvolvem uma civilização que se fundirá com a dos celtas da Irlanda e da Escócia. Nesta, a literatura tem origens dúbias, provavelmente alemã.
Em língua islandesa, Snorri Sturlason reuni uma série de contos com o nome Edda (palavra que significa bisavó, sugerindo por quem os contos eram narrados). Fazem parte dele canções histórico-mitológicas e poemas didáticos. Entre eles temos Helgakvida, Sigurdarkvida, Helreid Brynhildar e Godrunarvida, que são provavelmente as fontes da saga dos Nibelungos alemã.
Encontramos ainda um "compêndio de mitologia nórdica", com os seus personagens em forma primordial, sem nenhum atenuante poético e sem nenhuma influência do cristianismo. Os poemas que fazem parte deste "compêndio" são Veluspa, Balders draumar, Hávamál, Grmnismál, Voelundarkvida.
Quando Thomas Gray e outros passam a se interessar pela mitologia nórdica, estes contos entram na Inglaterra. Mas só passam a "brilhar" realmente depois que William Morris produz a versão da História de Grettir o Forte e da História dos Volsungs e Niebelungs, que conhecemos por sua versão alemã do Siegfried e outros heróis.
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